A Rússia e suas agências de notícias estiveram no centro das atenções na semana que passou. Enquanto agências de ex-repúblicas soviéticas no Báltico – especificamente Estônia e Lituânia – cortaram a parceria que tinham com a Sputnik sem aviso prévio nem satisfações, a TASS conduziu boas relações internacionais com a AFP e a Anadolu. Um veterano correspondente da Reuters morreu e a editora-executiva da AP defendeu a legitimidade de usar fontes em off na “Era Trump”. Veja mais no boletim da semana.

Agências de notícias de países bálticos cortam parceria com Sputnik – As agências de notícias BNS, da Estônia, e LETA, da Letônia, interromperam unilateralmente os acordos de intercâmbio de conteúdo que mantinham com a agência de notícias russa Sputnik, em decisão divulgada na última quarta-feira (1/3). Tanto a BNS (Baltic News Service) quanto a LETA (Latvijas Telegrāfa Aģentūru) são privadas e pertencem ao mesmo conglomerado, o UP Invest OÜ. A Sputnik protestou em seu site, dizendo que a empresa não ofereceu nenhuma explicação convincente para encerrar a parceria, e que foi pega de surpresa. A paranoia russófoba está comum atualmente nos países bálticos, que já foram parte da União Soviética entre 1940 e 1991.

AFP e TASS planejam intensificar cooperação – As agências de notícias AFP, da França, e TASS, da Rússia, planejam desenvolver e intensificar a cooperação que já mantêm “em vários campos”, segundo a empresa russa. O presidente da AFP, Emmanuel Hoog (à direita na foto do alto da página), esteve na sede da TASS em Moscou na última sexta-feira (3/3) junto a uma delegação de executivos e jornalistas franceses. Eles foram recebidos pelo diretor-geral da TASS, Sergey Mikhailov.

“A France-Presse e a TASS têm uma relação ótima e duradoura. Esperamos que este ano em nossas relações seja melhor que toda a década anterior”, disse Mikhailov, lembrando que a TASS mantém um escritório de grande porte em Paris. Hoog ressaltou a parceria “histórica e produtiva” entre as duas agências e comentou as prioridades da AFP. “Primeiro de tudo, isso é a multimídia: melhorar a qualidade das fotos e vídeos. Uma área muito importante é a cobertura esportiva, especialmente em ligação com a Copa das Confederações de 2017 e a Copa do Mundo de 2018”, que serão ambas na Rússia. A AFP, fundada em 1944 como sucessora da primeira agência de notícias do mundo, a Havas (de 1835), e a TASS, fundada em 1925 como herdeira das várias agências estatais russas desde 1902, mantêm cooperação desde o século XX.

Diretor da TASS visita agência turca Anadolu – Em outra visita de parceria, o diretor-geral da TASS esteve em Istambul para visitar a sede da agência oficial turca, a Anadolu, a convite desta no último dia 20/2. Na reunião, Sergey Mikhailov e o presidente da agência turca, Senol Kazanci, discutiram as relações entre as duas empresas e as áreas de cooperação (vídeo acima). O jornalista russo aproveitou para conhecer a Academia Anadolu, uma universidade corporativa na qual a agência turca faz cursos, treinamentos e palestras para profissionais e estudantes da Turquia e de outros países. A recente reaproximação entre Rússia e Turquia, ativada depois da tentativa de golpe no segundo país em julho do ano passado, está se materializando também no campo da informação.

Morre o correspondente Paul Iredale, da Reuters – Morreu na última segunda-feira (27/2) o jornalista inglês Paul Iredale, correspondente aposentado da Reuters. Nascido na ilha de Jérsei em 1950, Iredale entrou para a Reuters em 1973, como estagiário. Durante os 27 anos de sua carreira, trabalhou como correspondente na África do Sul, na Ásia e na América Central. No final de 1989, cobriu o fim da guerra civil em El Salvador e a invasão estadunidense no Panamá, onde chegou a ser sequestrado, ficou sob fogo cruzado e escapou de um tiro que só furou seu chapéu – que passou a usar como amuleto. No ano 2000, antecipou sua aposentadoria por motivos de saúde. Depois disso, trabalhou como professor na Fundação Reuters e na City University de Londres, dando treinamento de segurança para jornalistas em zonas de conflito.

Editora da AP defende vazamento por fontes em off – Em entrevista a um programa de TV nos Estados Unidos, a editora-executiva da Associated Press, Sally Buzbee, defendeu que o uso de fontes sob anonimato, em off, quando as fontes oficiais sonegarem informação deliberadamente. “Repórteres tentam fazer as pessoas falarem com eles com seus nomes revelados a todo o momento, porque obviamente isso é o padrão. Se há informações que você não pode obter de outra maneira, e sabe que é informação factual, não plantada, mas alguém está em uma posição de saber o que estão falando, achamos que a informação é extremamente importante, e o público precisa saber. É muito difícil fazer com que o governo diga o que está fazendo. Lutamos pela informação e pelos fatos todos os dias. Temos feito isso por décadas. E é por isso que usamos fontes anônimas sempre que precisamos. Não gostamos, mas às vezes é a única maneira de obter fatos para o público”, disse Buzbee ao programa NewsHour, da rede pública PBS. Na semana passada, a AP decidiu boicotar as coletivas oficiais na Casa Branca, em solidariedade à restrição de acesso contra empresas de mídia que adotaram cobertura crítica ao governo de Donald Trump.

IRNA sediará encontro de agências da OCE – A agência iraniana IRNA se ofereceu para sediar um encontro internacional de agências da Organização de Cooperação Econômica (OCE), bloco econômico que reúne países do Sudoeste Asiático e da Ásia Central (Turquia, Irã, Paquistão, Afeganistão e as ex-repúblicas soviéticas da região). Segundo o presidente do Instituto Cultural da OCE, Mohammad Mehdi Mazaheri, a reunião deve ocorrer em Teerã, ainda sem data marcada. Em entrevista à IRNA, Mazaheri enfatizou o papel desempenhado pela mídia para o fortalecimento dos laços culturais entre as nações. Para ele, a diplomacia cultural funcionaria de forma muito mais forte e eficiente que a diplomacia política e econômica. “A diplomacia cultural é como uma árvore e a diplomacia política e econômica é como seus frutos: às vezes não há frutos, mas a árvore permanece para sempre”, disse. Várias das agências nacionais dos países da OCE já participam de entidades como a BSANNA (Associação de Agências de Notícias do Mar Negro), a TKA (União das Agências de Notícias de Línguas Túrquicas) e a ANIA (Associação das Agências de Notícias dos países da CEI – ex-repúblicas soviéticas).

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