A agência de notícias estadunidense Associated Press decidiu boicotar as sessões de briefing na sala de imprensa da Casa Branca após o governo de Donald Trump ter decidido impedir o acesso de outras organizações de mídia, como a CNN, os jornais New York Times, Los Angeles Times e The Guardian (da Inglaterra), e os websites Politico e BuzzFeed, informou a própria agência nesta sexta-feira (24/2).

Na tarde de sexta-feira, horas depois de Trump ter feito mais um discurso com críticas à cobertura da mídia sobre seu governo, o secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, anunciou que só permitiria a entrada de um grupo de jornalistas, da AP entre eles, supostamente para formar um “pool” e transmitir as informações aos demais colegas. Os outros repórteres presentes, que normalmente assistem ao briefing, foram barrados.

Em solidariedade aos colegas, a chefia do escritório da Associated Press em Washington decidiu passar a boicotar os briefings e não enviar mais repórteres até a entrada de todos ser novamente liberada.

A AP acredita que o público deve ter tanto acesso ao presidente quanto possível“, disse Lauren Easton, diretora da AP para relações com a mídia.

A revista TIME, cuja entrada também foi liberada, teve a mesma atitude.

As agências Reuters e Bloomberg estiveram entre os autorizados, assim como a ABC, a NBC, a Fox News, a TV e a rádio do grupo CBS (Columbia Broadcasting System) e a cadeia de imprensa do grupo Hearst. Segundo a AP, o repórter da Bloomberg só ficou sabendo da proibição aos colegas depois do evento. Na véspera, Trump tinha concedido uma entrevista exclusiva à Reuters no Salão Oval.

A lista de autorizados no pool incluiu ainda o jornal ultraconservador The Washington Times e o site Breitbart News Network, cujo ex-presidente, Steve Bannon, é o atual estrategista-chefe de Trump.

A Associação dos Correspondentes da Casa Branca, entidade que reúne os setoristas que cobrem o governo federal dos EUA, protestou contra a restrição.

O briefing da Casa Branca é uma entrevista coletiva diária com o secretário de imprensa, que atua como porta-voz do governo, em que as decisões do gabinete são divulgadas e os jornalistas podem fazer perguntas. Normalmente, a coletiva é aberta a todos os repórteres credenciados junto à Casa Branca. Antes de George W. Bush (2001-2009), era tradição que os próprios presidentes participassem da coletiva em média uma vez por semana.

No entanto, com Trump, as coletivas têm sido momentos tensos e avessos ao protocolo de respeito institucional. Na semana anterior, o presidente bateu boca com jornalistas, inclusive alguns veteranos, de empresas da grande mídia como a CNN. Respondendo a uma pergunta sobre o vazamento de informações que levou à queda de seu conselheiro de segurança, Michael Flynn, Trump disse que “os vazamentos eram reais, mas as notícias eram falsas”, e que o “tom” das matérias tem sido “odioso”.

Em reação às críticas de Trump, jornalistas norte-americanos têm usado a hashtag #NotTheEnemy (afirmando que [a mídia] “não é o inimigo”) em suas redes sociais.