Oito agências de notícias que funcionam na Alemanha – tanto alemãs quanto estrangeiras com delegações no pais -, na Áustria e na Suíça decidiram adotar políticas de linguagem neutra de gênero em seus manuais de redação, mas não vão usar recursos ortográficos de marcação de “gênero neutro”, como asteriscos, arrobas e a letra E. O anúncio é da TV russa RT.

A mudança valerá nas agências alemã DPA (Deutsche Presse-Agentur, a maior do país e uma das maiores do mundo), SID (especializada em esportes), KNA (católica) e EPD (evangélica), na APA, da Áustria, na SDA-ATS e na Keystone (de imagens), da Suíça, mais os escritórios da AFP e da Reuters na Alemanha.

A mudança se refere especialmente às formas plurais de substantivos e adjetivos que usam o chamado “masculino genérico”, em que o gênero gramatical masculino é empregado pra designar grupos com gêneros diferentes – como no caso de dizer “os deputados” para um grupo de deputados e deputadas.

É a primeira vez que as pautas identitárias causam uma mudança significativa em manuais de redação em agências de notícias. Como diversos veículos de língua alemã assinam os serviços dessas agências, a nova política editorial pode se espalhar.

É importante lembrar que a língua alemã tem três gêneros gramaticais – masculino, feminino e neutro – que, como todo gênero gramatical, não têm nenhuma relação direta com gêneros sexuais. Por outro lado, no português, uma língua latina, o plural considerado “masculino genérico” é, na verdade, derivado da forma plural do gênero neutro em latim.

Segundo a RT, entre as estratégias de redação para driblar o “masculino genérico” estão a opção de usar as formas feminina e masculina em seguida uma à outra (colocando o feminino primeiro) e substituir construções adjetivas e substantivas por formas verbais (de “trabalhadores” para “quem trabalha”).

A emissora russa salientou ironias na reação ao anúncio das agências em alemão. “O diretor da DPA, Froben Homburger, foi satirizado no Twitter por não seguir as novas regras, mesmo quando as anunciava. Ele usou a palavra masculina ‘Medienkunden‘ para explicar que ele e seus colegas monitorariam de perto a reação de seus assinantes às mudanças. ‘Medienkunden e Medienkundinnen, por favor!’, disse uma das respostas”, em referência a críticos de mídia (que podem ser crítico ou crítica).