Aviões das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) bombardearam até demolir o prédio que abrigava as sucursais da agência de notícias norte-americana Associated Press e da TV catariana Al Jazeera na Faixa de Gaza, um dos dois territórios da Palestina, na manhã deste sábado, 15 de maio de 2021.

Não houve vítimas. As IDF avisaram aos jornalistas e a moradores que iriam realizar o bombardeio com minutos de antecedência, para que todos saíssem. Segundo a própria TV Al Jazeera, o proprietário do prédio tentou negociar com militares israelenses, por telefone, uma extensão de prazo de 15 minutos para que os jornalistas retirassem equipamentos mais pesados, como câmeras e ilhas de edição, mas o pedido foi negado.

O bombardeio aconteceu pouco antes das 10h (horário de Brasília). Em questão de segundos, o edifício inteiro desabou, deixando apenas escombros. Ainda de acordo com a Al Jazeera e a AP, cerca de 15 anos de arquivos de imagens da cobertura jornalística de Gaza foram perdidos.

O presidente da AP, Gary Pruitt, se disse “chocado” e “horrorizado” com o ataque ao jornalismo promovido por Israel. “Estamos buscando informação do governo israelense e estamos providenciando junto ao Departamento de Estado dos EUA para descobrir mais” sobre o que aconteceu, disse Pruitt em comunicado reproduzido pela agência turca Anadolu.

O edifício, chamado de Torre Al-Jalaa, abrigava sucursais em Gaza da AP, da TV Al Jazeera, do website Middle East Eye, da TV libanesa Al Mayadeen, da rádio palestina Asra FM (também conhecida como Voice of Prisoners) e, antes, da ONG Doha Center for Media Freedom, fechada em 2019. Além disso, era um prédio misto, comercial e residencial, e tinha apartamentos nos quais moravam famílias.

Até agora (tarde de sábado, pelo horário de Brasília), o CPJ (Comitê de Proteção a Jornalistas, de Nova York) e o IPI (Instituto Internacional de Imprensa, de Viena) divulgaram notas públicas em repúdio ao ataque israelense. Já a a ONG Repórteres Sem Fronteiras, sediada em Paris, ainda não se manifestou.

Esse tipo de ataque por parte das forças israelenses não é inédito: em maio de 2019, as IDF bombardearam e destruíram o prédio que abrigava a sucursal de outra agência de notícias, a turca Anadolu. Na época, autoridades da Turquia acusaram Israel de cometer “crime de guerra” e um ato de “terrorismo”.

(foto: Anadolu Ajansi)