Os jornalistas birmaneses Wa Lone e Kyaw Soe Oo, repórteres da agência Reuters na Birmânia que estavam presos desde o final de 2017, foram libertados hoje (7/5) em Rangum, capital do país asiático, segundo a própria empresa. Eles receberam um perdão do presidente do país, Win Myint, do partido Liga Nacional pela Democracia, o mesmo da dissidente Aung San Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz.

Wa e Kyaw (foto no alto) foram presos em dezembro de 2017, acusados de violação de segredos de estado, enquanto apuravam uma pauta sobre envolvimento de policiais no assassinato de dez homens e crianças da minoria muçulmana dos ruaingás (em inglês, Rohingya). Eles, que entrevistavam um suposto policial, foram presos em flagrantes. A defesa alegava que os clientes tinham sido vítimas de uma armação.

A reportagem ganhou o prêmio Pulitzer de 2018 na categoria Jornalismo Internacional.

De acordo com a Reuters, Wa Lone, de 33 anos, e Kyaw Soe Oo, de 29, passaram mais de 500 dias atrás das grades. Eles tinham sido condenados em setembro de 2018, sentenciados a sete anos de prisão. A agência anglo-canadense assumiu a defesa dos repórteres e iniciou uma campanha internacional pedindo sua libertação. Em abril, a Suprema Corte da Birmânia (também chamada de “Mianmar”) rejeitou um recurso dos jornalistas, que alegava falta de provas no processo.

O presidente Win Myint também perdoou milhares de outros prisioneiros desde o mês passado, promovendo uma anistia em massa às vésperas do ano novo do calendário birmanês, que começou no dia 17 de abril.