Gestores de agências de notícias da África criaram o Fórum de Diretores de Redação de Agências de Notícias Atlânticas Africanas (FDI-AAP, na sigla em francês) nesta sexta-feira (19/10) em Rabat, no Marrocos, como um órgão permanente para troca de experiências e articulação de políticas editoriais e estratégias corporativas.

A decisão foi tomada pelos representantes de 24 agências de notícias da costa atlântica do continente (foto acima), ao fim do I Fórum de Diretores de Redação, que durou três dias na capital marroquina. O evento foi organizado pela FAAPA (Federação Atlântica das Agências de Notícias Africanas)

Segundo a agência de notícias NAN, da Nigéria, a criação do FDI-AAP segue o que foi recomendado pela Assembleia Geral da FAAPA em dezembro de 2017, em Casablanca.

O novo órgão deverá promover interesses comuns das agências filiadas à FAAPA, organizar cursos e oficinas de treinamento e reciclagem, capacitação tecnológica e seminários temáticos em cooperação com organizações internacionais. O FDI-AAP também poderá realizar estudos encomendados pela FAAPA sobre o campo do jornalismo e da comunicação.

O fórum será inicialmente presidido por Rachid Mamouni, editor-chefe da agência marroquina MAP. Seus assistentes serão Kouablan Pascal, diretor da AIP (Costa do Marfim), e Papa Ousmane Ngom, da APS (Senegal).

Um conselho consultivo do FDI-AAP incluirá gestores das agências da Nigéria (NAN), Libéria (LINA), Congo-Brazzaville (ACI), Guiné (AGP), Namíbia (Nampa), Cabo Verde (Inforpress) e Burkina Faso (AIB).

Checagem de fatos

Durante o fórum, especialistas em mídia salientaram a importância do trabalho de checagem (fact-checking) para as agências de notícias africanas. Para alguns dos participantes, o jornalismo profissional pode não conseguir combater a onda de notícias falsas disseminadas por mídias sociais, muito usadas em países mais pobres por causa do baixo custo.

“A checagem de fatos é uma maneira de se ter cautela. Sua necessidade tornou-se imperativa para quem quer ser sério no trabalho. Temos que ser pacientes, buscar independência das autoridades e conferir as informações antes de publicar”, disse Samira Sitail, chefe de redação do site marroquino 2M.

Já para a gerente da revista TelQuel, Aicha Akalay, as fake news se tornaram “uma ferramenta viciosa usada por influenciadores e políticos” não só para desinformar, mas também para manipular os leitores.

“As pessoas dispostas a publicar informações falsas são muito mais que aquelas prontas a verificar os fatos”, disse a jornalista.

Akalay sugeriu que os gestores de agências de notícias sempre verifiquem a autenticidade das declarações e estatísticas fornecidas por políticos e não permitam serem usados para propagar informações falsas.

Ela defendeu que as agências implantem equipes específicas para a checagem de fatos, o que nem sempre é custeável para empresas de países empobrecidos.

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