As agências de notícias africanas precisam adotar as mídias sociais em suas rotinas de produção sem sacrificar a credibilidade e a qualidade dos serviços que prestam, aconselharam especialistas participantes do I Fórum de Diretores de Redação de agências de notícias, iniciado em em Rabat, capital do Marrocos, nesta quarta-feira (17/10).

Na primeira das mesas do evento de três dias, intitulada “A Imediatez das Notícias e o Uso das Redes Sociais”, os pesquisadores presentes disseram aos diretores da agência de notícias que devem atualizar constantemente seus conhecimentos e capacidades para lidar com a velocidade das mídias sociais. No entanto, ressaltaram que as informações provenientes de redes como Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat, entre outras, devem servir apenas como alertas e não como fontes de notícias, tendo em vista a preponderância de notícias falsas nessas plataformas.

A chefe do bureau da AFP em Rabat, Sophie Pons, instou as novas agências a contratarem funcionários aptos a usar as mídias sociais para assegurar o monitoramento constante dos acontecimentos, a fim de melhorar a prestação de serviços com rapidez.

“A criação de uma página no Facebook tornará você visível e permitirá que você se comunique com as pessoas nessa plataforma. No entanto, você deve ter cuidado e checar os fatos fazendo pesquisas, pois há muitas imagens falsas e ferramentas de propaganda que devem ser verificadas”, disse Pons.

O seu homólogo da EFE, Xavier Otazu, também observou que o jornalismo cidadão representa um desafio e chamou a atenção para a necessidade de agregar valor ao que este meio oferece.

A agência de notícias da Nigéria, NAN, lembrou que outras questões para deliberação no fórum incluem digitalização da produção, editorial e fact-checking (checagem). Já o jornalista Mohamed Douyeb, fundador do observatório de mídia LeMediaMaroc, defendeu que as agências de notícias não devem ignorar o interesse das comunidades e, como tal, devem estar presente nas mídias sociais no dia-a-dia.

“A informação é um processo que engloba as mídias sociais. Eles colocaram muita pressão na mídia [convencional], mas precisamos checar de fato o que ouvimos nas mídias sociais”, disse.

O gerente de TI da agência marroquina Maghreb Arabe Presse (MAP), Chahid-Hicham Bachir, afirmou que as mídias sociais oferecem oportunidades para diversificar a produção e, como tal, devem ser exploradas e não ignoradas.

Para o diretor do portal marroquino Médias24, Naceureddine Elafrite, é importante que as agências construam marcas confiáveis e com credibilidade.

“Construa uma marca. Não entre na corrida para ser o primeiro a publicar. Só publique quando tiver uma fonte confiável. Toda mídia tem a responsabilidade de informar, mas você deve fazê-lo com paixão. Uma informação confiável é inestimável; por isso, não coloque informações nas mãos das mídias sociais “, disse Elfrite.

O fórum, organizado pela Federação Atlântica de Agências de Notícias Africanas (FAAPA), com sede em Rabat, tem o tema central “Desafios da Gestão de Redação” e reúne participantes dos 24 países membros da organização. Os participantes vêm de agências do Benin (ABP), Burkina Faso (AIB), Camarões (CamNews, privada), Chade (ATPE), Cabo Verde (Inforpress), República Centro-Africana (ACAP), Congo (ACI), República Democrática do Congo (ex-Zaire) (ACP), Costa do Marfim (AIP), Gabão (AGP), Gana (GNA), Guiné (AGP), Guiné-Bissau (ANG), Libéria (LINA), Mali (AMAP), Mauritânia (AMI), Marrocos (MAP), Namíbia, Níger (ANP), Nigéria (NAN), São Tomé e Príncipe (STP-Press), Senegal (APS), Serra Leoa e Togo (ATOP).

[fonte: https://facesinternationalmagazine.org.ng/?p=96974%5D

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