O modelo de negócio das agências de notícias não está ameaçado pela expansão das mídias sociais, mas estas podem ser uma ferramenta útil para as empresas de distribuição de conteúdo jornalístico, garantiram executivos das principais representantes do setor em um evento na Rússia nesta sexta-feira (25/5).

Quase 40 agências de notícias de expressão mundial participaram de uma espécie de “cúpula de agências de notícias”, como parte do XXII Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF 2018).

A reunião de agências dentro do evento foi organizada pela agência russa TASS e contou com a presença de gestores da Associated Press (EUA), AFP (França), DPA (Alemanha), ANSA (Itália), EFE (Espanha), Xinhua (China), Kyodo (Japão), Bloomberg (EUA), PA (Reino Unido), Anadolu (Turquia), IRNA (Irã), Belta (Bielorrússia), BTA (Bulgária), ArmenPress (Armênia), AzerTAc (Azerbaijão), TTXVN (Vietnã) e Prensa Latina (Cuba), entre outras.

Na mesa “O Futuro do Jornalismo em Tempos de Novos Desafios”, foram tratados os problemas que as agências de notícias e a mídia tradicional enfrentam atualmente.

O anfitrião, o diretor-geral da TASS, Serguei Mikhailov, afirmou que o uso de plataformas como Facebook e Twitter para disseminação e consumo de notícias já é uma realidade, e que o caminho acertado para as agências é fazer-se presente nelas e incorporar essas mídias sociais em suas rotinas produtivas.

“Não é novidade que os meios de comunicação têm usado as mídias sociais como fontes de informação, também não é novidade que os usuários de mídias sociais ficam sabendo de vários eventos, especialmente incidentes, antes que a mídia o faça. É impossível e errado ignorar isso. Então, os meios de comunicação profissionais devem aprender a aproveitá-las ao máximo“, acrescentou o diretor-geral da TASS.

Ele enfatizou a necessidade de criar ferramentas para se comunicar com os usuários e de desenvolver mecanismos de checagem para combater notícias falsas. Segundo o russo, leitores e usuários de mídias sociais podem ser engajados “como uma rede de jornalistas cidadãos, ativos em várias partes do mundo e, ao mesmo tempo, resolver a questão da checagem”.

O diretor administrativo da IRNA, Zia Hashemi
O diretor administrativo da IRNA, Zia Hashemi

Para o diretor administrativo da agência iraniana IRNA, Zia Hashemi, seria um problema se as agências enxergassem o Facebook e o Twitter como rivais, em vez de instrumentalizá-los.

“As agências de notícias não são desafiadas quando uma nova tecnologia é desenvolvida, mas sim quando não usam a tecnologia nem se adaptam ao novo ambiente. Na verdade, as agências permaneceram e eu acho que elas permanecerão enquanto os seres humanos precisarem de informações. Agências de notícias não são desafiadas quando uma nova tecnologia é desenvolvida, mas elas são desafiadas quando elas não usam a tecnologia e se adaptam ao novo ambiente”, disse Hashemi.

A automatização (ou robotização) do jornalismo também foi discutida pelos participantes. Mikhailov, da TASS, disse que não há necessidade de ter medo da automação da produção de conteúdo. Segundo ele, se a inteligência artificial puder processar 80% do conteúdo de informações no futuro, os jornalistas terão mais tempo para trabalhar com fontes de informação ou encontrar novas pautas, contribuindo para aumentar a qualidade das informações.

Concordando, o diretor-geral da agência armênia Armenpress, Aram Ananyan, disse que as agências de notícias são pioneiras no desenvolvimento de tecnologias em inteligência artificial para produzir notícias. Ele ressaltou a necessidade de as agências de mídia e de notícias se lembrarem de sua missão de dizer a verdade.

Segundo a AzerTAc, a mesa teve “uma troca de opiniões interessante e animada entre representantes de muitas agências de notícias influentes que compartilharam suas experiências e opiniões sobre os temas da agenda”.

Durante o evento, a agência cubana Prensa Latina assinou acordos de cooperação com congêneres, como a ArmenPress (Armênia).

Clive Marshall, da PA, e Rosalind Mathieson, da Bloomberg

Além dos citados, a reunião contou ainda com a presença da editora executiva do Bloomberg, Rosalind Mathieson; do vice-presidente da Associated Press, Ian Phillips; do editor-chefe da Xinhua, He Ping; do diretor-executivo da Kyodo, Hiroki Sugita; do presidente da DPA, Peter Kropsch; do presidente da EFE, José Antonio Vera; do editor-chefe da Anadolu, Metin Mutanoglu; do vice-diretor geral da TTXVN, Le Quoc Minh; do presidente da Prensa Latina, Luis Enrique González; de Vugar Seyidov, da AzerTAc; do presidente da Press Association, Clive Marshall, que também preside atualmente o Conselho Mundial das Agências de Notícias (NACO).

O presidente russo, Vladímir Putin, esteve presente e concedeu uma entrevista coletiva para os representantes das agências sobre temas de política russa e internacional (foto no alto do post).

Ao todo, o SPIEF 2018, que acontece desde 1997 na segunda maior cidade da Rússia, reuniu 15 mil participantes dos cinco continentes para discutir negócios, cooperação, relacionamentos empresariais e construção de confiança mútua entre empresas e Estado.

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