O chefe da fotografia do bureau da agência de notícias AFP em Cabul, Shah Marai, morreu na manhã desta segunda-feira (30/4) num atentado a bomba que matou pelo menos 25 pessoas na capital afegã.  Ele estava entre um grupo de repórteres que chegou ao local para cobrir outra explosão menor que acontecera pouco antes. Oito morreram. Outro fotógrafo, da Reuters, ficou levemente ferido. O primeiro ataque a bomba serviu de “isca” para reunir jornalistas, alvos da segunda explosão.

Menos de uma hora mais tarde, outro atentado a bomba, desta vez na cidade de Kandahar (Alexandria), no sul, matou pelo menos 11 crianças.

Ainda não há reivindicações de autoria sobre os três ataques.

A diretora de jornalismo da AFP, Michèle Léridon, divulgou uma nota lamentando a morte do colega e condenando a violência. “Estamos devastados pela morte de nosso fotógrafo Shah Marai, que testemunhava há mais de 15 anos a tragédia que assola seu país. A direção da AFP saúda a coragem, o profissionalismo e a generosidade desse jornalista que cobriu dezenas de atentados antes de ser ele mesmo vítima da barbárie”, disse ela.

Suas últimas palavras foram ditas numa mensagem enviada por Whatsapp para um colega da AFP que ainda não conseguira chegar ao local do primeiro ataque por estar preso no trânsito. “No worry man, I am here” (Não se preocupa, cara, tô aqui), disse ele.

Marai trabalhava na AFP há 22 anos. Ele deixa duas esposas e seis filhos, inclusive uma filha nascida há pouco mais de uma semana.

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O fotojornalista Shah Marai, da AFP, morto em atentado nesta segunda (30/4) no Afeganistão

Logo depois da confirmação da morte, a conta de fotografia da revista estadunidense The Atlantic no Twitter publicou uma seleção de imagens feitas por Marai nos últimos dez anos no Afeganistão.

Em outra homenagem, o blog Making of da AFP, que reúne textos sobre os bastidores das coberturas da agência, republicou um artigo escrito em primeira pessoa por Marai em outubro de 2016, descrevendo seu trabalho.

A agência francesa também distribuiu aos clientes uma lista de seus profissionais que já foram assassinados em serviço desde a fundação da empresa, em 1944. Foram 21 ao todo, desde o primeiro caso, em 1950, no Japão. A lista inclui tanto contratados da agência quanto “pigistes” (free-lancers) e prestadores de serviços. Antes de Marai, este mês a AFP já tinha perdido o cinegrafista Abdullah al-Qadry, que trabalhava para a agência francesa no Iêmen.

Quatro anos atrás, outro fotojornalista da agência francesa, Sardar Ahmad, já tinha sido vítima de um atentado semelhante no mesmo país, cometido pelo grupo Talibã.

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