No jornalismo, chamamos “barriga” quando uma notícia falsa é divulgada por erro – diferentemente das fake news intencionais. Se barriga de jornal ou TV já é ruim, barriga de agência de notícias é ainda pior, porque o fato de enviar cada notícia para vários clientes multiplica o erro. Foi isso que a agência da Noruega fez esta semana, ao “matar” o rei do país – aquele mesmo que o golpista Temer confundiu com o rei da Suécia. Além disso, a AFP colhe bons frutos da decisão de se estabelecer na Coreia do Norte e a Bloomberg fez uma parceria com um dos maiores grupos de mídia sauditas para lançar um canal internacional em árabe. Isso tudo e mais no Boletim da Semana.

Bloomberg anuncia parceria para lançar canal em árabe – A agência norte-americana de informação financeira Bloomberg assinou no dia 20/9 um acordo com o grupo de mídia saudiya SRMG para lançar um canal em árabe. O canal deve ser chamado Bloomberg Al-Arabiya e será multiplataforma, incluindo televisão all-news, rádio no mesmo formato e plataforma digital, além da revista Businessweek em árabe e uma série de conferências e debates. A plataforma atenderá uma audiência em árabe em vários países com notícias e análises sobre empresas, mercados, economia e política. A SRMG (Saudi Research and Marketing Group) é a empresa que edita os jornais Ash-Sharq al-Awsat (O Oriente Médio, em árabe), Al-Eqtisadiah (O Economista) e Arab News (em inglês). A empresa pertence a membros da família real da Arábia Saudita e também atua nos setores de TI, gráfico, distribuição de impressos e provedor de acesso à internet. O acordo foi assinado pelo presidente da SRMG, príncipe Bader al-Saud, e pelo dono da agência, Michel Bloomberg (foto no alto).

NTB dá notícia falsa sobre morte do rei da Noruega – A maior agência de notícias da Noruega, NTB (Norsk Telegrambyrå), publicou acidentalmente na quarta-feira (27/9) que o rei do país, Haroldo V, tinha morrido. A notícia é falsa. O despacho, preparado com antecedência para a eventualidade do falecimento (o que é comum em agências), tinha marcas de “xxxx” no lugar de datas e causas de morte. A NTB enviou uma correção três minutos depois, desmentindo o flash. Horas depois, o palácio real divulgou uma nota afirmando que o monarca está “em ótima forma”. O diretor-executivo da agência, Mads Yngve Storvik, descreveu a barriga como “extremamente lamentável”. A NTB é propriedade coletiva dos maiores jornais e grupos de mídia noruegueses.

WAM planeja expandir serviço para mais seis idiomas – A agência de notícias WAM, dos Emirados Árabes Unidos, deve acrescentar seis novos idiomas ao seu serviço noticioso, chegando a oito línguas no total, publicou o jornal Gulf News na terça-feira (26/9). O anúncio foi feito pelo ministro Sultan Ahmad al-Jaber, presidente do Conselho Nacional de Mídia do país. O diretor-executivo da WAM, Mohammad Jalal al-Raisi, disse ao jornal que “o lançamento do serviço noticioso multilíngue reflete o compromisso da WAM em ressaltar as várias conquistas dos Emirados e sua imagem positiva ao fornecer um amplo espectro de serviços noticiosos para um vasto segmento da audiência global”. Não foram divulgadas quais serão as novas línguas a serem incluídas. Atualmente, a WAM só opera em árabe e inglês. Essa deve ser a maior expansão da agência desde os anos 1970, quando foi criada. Recentemente, a agência inaugurou um sistema próprio de publicação, WAM Editor, que permite aos jornalistas da empresa enviar notícias a partir de qualquer lugar do mundo onde estejam, incluindo por smartphones e tablets.

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Crise com Coreia do Norte impulsiona crescimento da AFP na Ásia – A agência de notícias francesa AFP está colhendo os frutos da decisão de se abrir um bureau na Coreia do Norte, ano passado. Em matéria publicada no dia 19/9 no jornal francês Les Échos, o jornalista Yann Rousseau afirmou que a empresa “aumentou seu volume de negócios na região”, sem especificar números. Por exemplo: as imagens do anúncio oficial do teste da bomba de hidrogênio (foto acima) foram feitas por Kim Won-jin, jornalista coreano colaborador do bureau da AFP em Pyongyang, e redistribuídas pelo mundo pela agência francesa. Além da AFP, a Associated Press está na Coreia do Norte desde 2012. Reuters, Bloomberg e Dow Jones não estão no país. “Nossa presença em Pyongyang tornou-se um imenso patrimônio de marketing”, disse o presidente da AFP, Emmanuel Hogg, que acaba de voltar de uma turnê pela Ásia. Agora, segundo o jornal, a agência francesa conta com os próximos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, na Coreia do Sul, para reforçar essa posição.

EFE se engaja em campanha contra Venezuela – A agência espanhola EFE, que já havia ajudado a legitimar o golpe no Brasil, agora comprou briga contra o governo constitucional da Venezuela, distribuindo aos clientes, no dia 22/9, um artigo assinado pelo presidente do Parlamento Europeu, o italiano Antonio Tajani, defendendo que a União Europeia se engaje em derrubar o presidente Nicolás Maduro. No texto, Tajani afirma que Caracas está numa “deriva ditatorial” e sugere que o prêmio Sakharov da UE seja entregue aos golpistas venezuelanos Leopoldo López e Julio Borges, além de promover um seminário para dar palanque aos adversários da democracia venezuelana. O artigo, que estava no website da agência até a quarta-feira (27/9), foi retirada depois, mas ainda pode ser lida pelo cache do Google. A agência espanhola não esconde suas preferências ideológicas: em julho, enviou seu executivo-chefe ao Paraguai e comprometeu-se com o presidente paraguaio, o direitista Horacio Cartes, a treinar jornalistas do país e oferecer bolsas de estudo. O texto ignora a agência pública paraguaia IPP, fundada no governo de Fernando Lugo (2008-2012), também deposto num golpe de estado.

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Fotojornalistas da TASS fazem projeto “Um Dia na Vida da Rússia” – A agência russa TASS realizou no dia 22/9 uma jornada de fotografias pelo país para documentar o cotidiano da Rússia em 250 tópicos. No projeto, chamado “Um Dia na Vida da Rússia”, 100 fotojornalistas da TASS de diferentes partes do páis, de Caliningrado, na fronteira com a Polônia, até as ilhas Curilas, entre Kamtchatka e o Alasca, clicaram imagens espontâneas e não convencionais sobre temas do dia a dia. Uma seleção de fotos comporá um álbum a ser lançado em dezembro, além de exposições. O projeto marca os 30 anos de outra iniciativa semelhante, “Um Dia na Vida da URSS”, que reuniu 50 fotorrepórteres soviéticos a 50 estrangeiros em mais de 125 mil fotos.

Fundação Thomson Reuters comemora 20 anos – A equipe da Fundação Thomson Reuters, o braço de responsabilidade social da agência anglo-canadense, comemorou o 20º aniversário este mês reconhecido como um serviço jornalístico de temas humanitários. Segundo a editora-chefe da Fundação, Belinda Goldsmith, em artigo publicado no blog The Baron, de ex-funcionários da Reuters, os trabalhos da entidade começaram em 1997, com a criação da AlertNet, um serviço gratuito que cobria conflitos, desastres naturais e crises humanitárias “que se tornaram o serviço de acesso para ONGs e políticos em busca de desastres”. A ideia da AlertNet, conta Goldsmith, surgiu após o genocídio de 1994 em Ruanda, quando “ficou evidente que os grupos de socorro no país não tinham como se coordenar”. A Fundação então tomou a inciativa de usar a rede da Reuters para fornecer informações às instituições humanitárias para trabalhar juntas, além de aumentar a conscientização pública sobre o genocídio. Mais tarde, a AlertNet foi substituída por um serviço noticioso que, além de crises humanitárias, também cobre tráfico humano, escravidão moderna, direitos das mulheres e LGBT e mudança climática. Vários jornalistas veteranos da Reuters agora trabalham na fundação, incluindo a própria Goldsmith, seguindo o padrão, diz, de reportagens equilibradas, precisas e imparciais. Hoje, a fundação atua com uma equipe de 45 jornalistas e uma rede de cerca de 150 stringers (free-lancers) que cobrem pautas pouco divulgadas sobre questões humanitárias. Segundo a editora, a maior novidade da TRF é a cobertura de “resiliência”, novo jargão para designar a forma como populações em situação de risco se preparam para enfrentar catástrofes como furacões, terremotos, enchentes e secas.

Diretor da KUNA visita escritório da agência em Roma – O diretor-geral da agência de notícias KUNA, do Kuwait, o xeque Mubarak Duaij al-Sabah, esteve no escritório da empresa em Roma no domingo (24/9), segundo o jornal Arab Times. Ele vistoriou a rotina de trabalho e conversou com o presidente da associação de correspondentes estrangeiros na cidade, Lino Santamaria. Al-Sabah estava na capital italiana para o encontro da ANSA com as agências da FANA (Federação das Agências de Notícias Árabes), que terminou na sexta anterior.

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