Foi publicada na última quarta-feira, a de cinzas (1/3), a nova “modelagem” da estrutura organizacional da EBC, incluindo mudanças na Agência Brasil – a agência de notícias oficial do país. As alterações, oficializadas pela Portaria 126/2017, modificam a reforma administrativa que já tinha sido feita em novembro de 2016 (Portaria 945), depois que Laerte Rimoli foi confirmado como interventor na estatal pela junta governativa golpista.

Ontem, segunda-feira (6/3), o colunista Mario Augusto Jacobskind, do jornal Brasil de Fato (e membro do Conselho Curador da EBC), publicou que o jornalista André Muniz de Souza tinha sido demitido da gerência de redação da ABr em São Paulo por cobrir um protesto do Movimento dos Sem-Teto (MTST) na cidade. No entanto, a exoneração de Muniz foi publicada no dia 1º/3 (Portaria 133/2017) e a matéria só foi feita no dia seguinte. A cobertura anterior tinha sido no dia 16 de fevereiro, um dia após o MTST montar acampamento na Avenida Paulista, em frente à representação da Presidência da República, para protestar contra o fim do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades. Para o lugar de Muniz na chefia da ABr em São Paulo, no dia seguinte, foi nomeado Luciano de Carvalho Paço.

A principal mudança na ABr foi o fim do nível de coordenação geral para todas as sucursais: agora, há uma “Gerência Executiva da Agência Brasil” e gerências regionais para Brasília, Rio e São Paulo. Outras alterações são a separação da Radioagência, a incorporação da coordenação de imagem (fotografia) sob a ABr e a transformação das coordenações de pauta regionais em gerências. Pelo novo desenho institucional da estatal (quadro abaixo, elaborado pelo blog), há agora gerentes-executivos (antigos superintendentes); abaixo deles, gerentes; e, abaixo, três níveis de coordenadores (I, II e III).

Estrutura ABr 2017

Na “modelagem” de novembro, a Superintendência Executiva de Agências, no plural, já passara a se chamar “Gerência Executiva de Agência”, no singular, já que a Radioagência Nacional (agência de notícias para rádios) foi transferida para a Gerência de Radiojornalismo. Na mudança de semana passada, o novo nome ficou como “Gerência Executiva da Agência Brasil”, que permanece ocupada por Luiz Fernando Prado Fraga desde outubro.

A direção da ABr, que até o ano passado chamava-se “Coordenação da Agência Brasil”, já havia sido renomeada na gestão de Ricardo Melo, presidente da EBC, como “Gerência da Agência Brasil”, subordinada à Gerência Executiva de Agências, e esta, por sua vez, à Superintendência de Agências (que ainda incluía a Radioagência), criada em 2015. A primeira superintendente foi Denize Baccocina, convidada pelo então presidente da EBC, Américo Martins. Em 3 de agosto de 2015, Paulo Totti se tornou gerente executivo de agências. Em julho de 2016, antes de se consolidar a intervenção, a gerente da ABr, Lana Cristina do Carmo, foi promovida a superintendente de agências. Em seu lugar, na chefia da ABr, entrou a jornalista Amanda Machado Cieglinski, funcionária da EBC, retirada do cargo por Rimoli em outubro para dar lugar a Nádia Batista Franco, atual gerente da agência.

A coordenação de pauta da ABr, que em novembro estava com Denise Griesinger (no cargo desde a gestão de Lana Cristina do Carmo à frente da agência), agora passou para Lídia Gurgel Neves Hora. A chefia da ABr no Rio continua sob Douglas Correa, que passa de coordenador de pauta e reportagem para gerente de redação regional. A coordenação de imagem segue com o fotógrafo Marcello Casal Jr., há anos no cargo. A equipe em Brasília inclui ainda a editora Olga Bardawil, mantida na coordenação do serviço em línguas estrangeiras (inglês e espanhol), criado em 2012 e que ela chefia desde 2014.

A portaria de semana passada mantém a nomenclatura dos cargos de chefia na Agência Brasil definida em novembro, bem como quase todos seus ocupantes. Ela segue deliberações do Conselho de Administração da EBC e da DIREX (Diretoria Executiva), que alteram o regimento interno da empresa e a “macroestrutura organizacional”, datadas de 20 e 21 de fevereiro, respectivamente.

As mudanças administrativas, por sua vez, só foram permitidas pela medida provisória (MP 744/2016) e pelo decreto nº 8.846 do vice-presidente usurpador Michel Temer, ambos de 1º de setembro de 2016 (dia seguinte à consolidação do golpe), que extinguiram o Conselho Curador (órgão de prestação de contas da EBC junto à sociedade civil) e alteraram, à força, o estatuto da EBC (que garantia estabilidade do presidente e da diretoria da empresa, em mandatos quadrienais) e a lei 11.652 de 2008, que criou a empresa. A MP 744 foi aprovada pelo Senado no dia 8 de fevereiro e, assim, convertida em Lei 13.417 de 2017.

Como a Agência Brasil, criada em 1990, está subordinada à EBC desde a criação da estatal, em 2007, as alterações administrativas na agência dependem das normas e regulamentações aplicadas sobre a empresa.

 

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