A AFP está testando uma modalidade de serviço de infográficos em que ela hospeda a programação e seus clientes apenas fornecem o acesso em suas interfaces, do mesmo jeito como o YouTube faz com vídeos “embedados”. Se isso der certo, pode se espalhar para outros serviços (texto, vídeo, foto), aumentando o controle das agências sobre o conteúdo que fornecem. Enquanto isso, uma interessante enquete da agência Sputnik mostrou que usuários nos países mais pobres escutam mais rádio online que nos países ricos, ao contrário do que poderiam fazer supor a dificuldade de acesso aos aparelhos e o alto custo dos pacotes de dados. Estas e outras estão no nosso boletim da semana.

AFP promete infográficos mais interativos para 2017 – A agência de notícias francesa Agence France-Presse (AFP) prometeu reforçar a produção de infográficos interativos para o ano de 2017, especialmente na cobertura das eleições presidenciais na França, em abril e maio. Os novos infográficos estão sendo feitos em “design responsivo” (adaptável a qualquer tela) e para serem fáceis de integrar em websites e plataformas móveis (via iFrame, formato de vídeo da Apple). Eles também são hospedados pela AFP, o que significa que o cliente não recebe o arquivo do infográfico, mas abre uma “janela” para o conteúdo aparecer em sua interface, como no streaming. Uma equipe específica está sendo mobilizada para produzir os gráficos das eleições francesas, com comparações entre os programas dos candidatos, módulos interativos com pesquisas, e mapas interativos dos resultados atualizados em tempo real durante a apuração. Em 2016, nas eleições presidenciais nos EUA, a AFP alcançou 4,6 milhões de usuários nos seus infográficos, com 22,8 milhões de visualizações numa média de 6 minutos por tempo de permanência na visita. Nos últimos meses, a AFP diz ter produzido mais de 150 infográficos interativos que estão disponíveis hoje no AFP Forum (plataforma de acesso, visualizada na tela acima) em quatro idiomas: inglês, espanhol, francês e alemão. O projeto tem o patrocínio da Google Digital News Initiative, já detalhada neste post do blog.

IPTC busca linguistas para plataforma de classificação para agências – O consórcio IPTC (em inglês, Conselho Internacional para Telecomunicações de Imprensa), formado pelas maiores agências de notícias do mundo, está buscando linguistas profissionais para trabalhar na EXTRA, sua plataforma de código aberto para indexação de conteúdo jornalístico. O sistema é fundamental para a classificação, o armazenamento e a recuperação de textos das agências de notícias, necessário com rapidez em caso de coberturas urgentes, além do dia-a-dia de fornecer o conteúdo exato para cada cliente. Segundo o anúncio,  o linguista contratado irá escrever regras booleanas (de agrupamentos semânticos) para analisar textos de matérias e sugerir os tópicos de indexação mais relevantes pelo padrão IPTC, usando uma taxonomia de cerca de 1.000 temas (dos quais uma parte será selecionada para ter as regras escritas pelo próprio linguista). É necessária fluência em inglês e alemão, e o trabalho é feito remotamente. A fase inicial do projeto começa entre fins de março e o final de junho, com uma estimativa de 100 a 125 horas de trabalho no total. Interessados podem se candidatar neste link.

AP e pesquisadores anunciam projetos para jornalismo científico – A agência de notícias norte-americana Associated Press (AP) fechou uma parceria com o Departamento de Divulgação Científica do Instituto Howard Hughes, nos EUA, para dois projetos pilotos de jornalismo científico. Segundo a agência, um deles vai “explorar novas fronteiras da genética” e outro pretende apresentar pesquisas científicas de forma contextualizada. O projeto é detalhado pelo editor de ciência e saúde da AP, Jonathan Fahey (vídeo acima). De acordo com ele, os dois projetos servirão “para podermos ajudar pessoas a compreender, apreciar e até valorizar matérias de ciência e saúde, queremos levá-los um pouco mais além e mostrar as repimbocas“. A AP também lançou recentemente uma conta no Twitter, @APHealthScience, para divulgar e debater suas matérias de ciência e saúde, inclusive as que serão produzidas como parte dos dois projetos.

Sputnik realiza maratona radiofônica para celebrar o Dia Mundial do Rádio – A agência de notícias russa Sputnik realizou uma “maratona de rádio” para celebrar o Dia Mundial do Rádio em nove cidades do mundo. Durante 24 horas, os apresentadores da Sputnik entrevistaram especialistas sobre o papel do rádio na era das mídias sociais. Os participantes eram do Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai, Síria, Iraque, China, Líbano, França e Rússia. Antes da programação especial, a agência realizou uma enquete entre seus usuários, perguntando quais dispositivos eles usam para ouvir rádio: 59% disseram que ouvem mais rádio online, enquanto 41% responderam que usam mais os aparelhos analógicos. De acordo com a pesquisa, o uso de dispositivos digitais e novas plataformas online – telefones celulares, tablets e podcasts – é mais popular na Ásia Central, no Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina, incluindo a China, Irã e Brasil, enquanto os ouvintes da Europa – Alemanha, República Tcheca e Itália – sintonizam em rádios tradicionais. O programa recebeu elogios da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). A Sputnik, agência russa que sucedeu a Novósti em 2013, é forte em seu serviço de rádio, e em conteúdo disponibilizado em 3o idiomas.

Thomson Reuters suspende anúncios online após aparecer em canal nazista – A Thomson Reuters, conglomerado anglo-canadense dono da agência Reuters, suspendeu parte de sua publicidade digital depois que um anúncio seu foi encontrado sendo exibido em um canal de vídeos nazistas, divulgou o site The Drum. A propaganda da empresa apareceu no canal Combat 18, hospedado no YouTube, além de sites que promovem apoio ao ISIS (Estado Islâmico) e a outras ideologias extremistas. “A Thomson Reuters tomou medidas imediatas para investigar e resolver este problema, e suspendeu elementos das atividades de publicidade digital programática dentro da unidade de negócios responsável, enquanto transcorre uma nova revisão. A empresa tem um conjunto rígido de políticas e procedimentos para evitar que isso aconteça”, disse o grupo anglo-canadense. O mesmo já havia acontecido com marcas de carro como Mercedes Benz e Jaguar Land Rover. A programação de publicidade digital é definida automaticamente de acordo com algoritmos pré-programados de palavras-chave e público-alvo, mas a filtragem dos sites e canais nos quais os anúncios aparecem deve ser feita manualmente.