A foto do assassinato do embaixador russo na Turquia, Andrei Karlov, em dezembro do ano passado, ganhou o prêmio World Press Photo como melhor foto do ano. A imagem foi feita pelo fotógrafo turco Burhan Özbilici, da agência norte-americana Associated Press, segundo o jornal britânico The Guardian. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (13/2).

Karlov foi assassinado pelo fundamentalista turco Mevlüt Mert Altıntaş, de 22 anos, enquanto dava uma entrevista coletiva na inauguração de uma exposição de arte em Ancara.O assassino, que era policial e entrou no evento disfarçado como segurança, sacou a arma de repente e disparou contra o diplomata, à queima-roupa. Enquanto vários dos jornalistas recuaram, Özbilici manteve-se no local e fez as fotos da cena, quando o criminoso começou a gritar palavras de ordem fundamentalistas.

O fotojornalista relatou os momentos de tensão dias depois, no blog da AP:

“Eu estava com medo, claro, e sabia do perigo se o atirador se voltasse para mim. Mas avancei um pouco e fotografei o homem enquanto ele intimidada sua audiência, desesperada e aprisionada. Era isso que eu estava pensando: ‘Estou aqui, mesmo que eu seja atingido, ferido ou morto, sou jornalista. Tenho de fazer meu trabalho. Posso fugir sem tirar fotos… Mas eu não teria uma resposta adequada se as pessoas mais tarde me perguntarem: ‘Por que você não tirou fotos?” Até pensei em amigos e colegas que morreram enquanto tiravam fotografias em zonas de conflito ao longo dos anos. Enquanto minha mente voava, vi que o homem estava agitado – e ainda assim, estava, estranhamente, sob controle. Ele gritou para que todos se retirasse. Seguranças nos pediram para desocuparem o recinto e saímos”.

Logo em seguida, Altıntaş foi morto pelas forças de segurança turcas.

A escolha do vencedor, entretanto, não foi uma unanimidade. O próprio presidente do júri, o fotojornalista inglês Stuart Franklin, da agência Magnum, foi contra a decisão e criticou-a publicamente por reafirmar “o pacto entre martírio e divulgação”.

“Desculpe, Burhan. Essa é uma fotografia de um assassinato, do assassino e do morto, ambos vistos na mesma imagem, e é moralmente tão problemático de publicar como uma decapitação por terroristas. É uma fotografia impactante, sem dúvida. No entanto, enquanto eu fiz tudo para conceder o prêmio de fotografia de notícia, que também ganhou, fui fortemente contra fazê-la a foto do ano. Perdi a discussão por pouco”, relatou Franklin em artigo no Guardian.

O prêmio World Press Photo é concedido todo ano pela fundação de mesmo nome, fundada em 1955 e sediada em Amsterdã, na Holanda. É frequente que agências de notícias emplaquem funcionários seus entre os premiados.

 

[Nota do blog: a imagem acima está cortada, intencionalmente, para não dar destaque ao rosto do criminoso, nem ao seu discurso de ódio fundamentalista.]