Trinta diretores de 20 agências de notícias dos Bálcãs e da região do Mar Negro participaram neste mês de setembro, na Bulgária, da conferência The Role of News Agencies in Time of Crisis (O papel das agências de notícias em tempo de crise). O evento aconteceu em Sofia e Nessebur (no Mar Negro) entre 7 e 11 de setembro e foi organizado pela Agência de Notícias Búlgara (BTA).

O programa incluiu, de acordo com informações da BTA, discussões sobre o papel das agências de notícias em condições de crises política, financeira, econômica migrante e conflitos militares. No período também aconteceu a 25ª Assembleia Geral da Associação das Agências de Notícias dos Bálcãs – Sudeste da Europa (ABNA-SE) e a 8ª Reunião Anual da Associação do Mar Negro de Agências de Notícias Nacionais (BSANNA). Assuntos relacionados aos direitos de autor, novas tecnologias e presença nas redes sociais e questões empresariais, também estiveram na pauta das reuniões.

Durante a cerimônia de abertura, o secretário geral da Aliança Europeia de Agências de Notícias (EANA), Erik Nylen, destacou dois pontos na sua fala como convidado da conferência: o financiamento do jornalismo e a luta pela independência das agências de notícias. “Muitas pessoas querem exercer pressão sobre a reportagem e devemos lutar por nossa independência e defender nossos direitos de autor”, declarou o secretário.

Já o diretor geral da BTA, Maxim Minchev, apontou os desafios que enfrenta a profissão com a nova era tecnológica e lembrou que 80% da informação do mundo passa pelas agências; o resto é coberto por TV, rádio e imprensa. Minchev comentou que, ao mesmo tempo, os representantes das agências de notícias são mais anônimos porque seus nomes se mantêm reservados e não são tão populares como os dos outros colegas. A questão pode ser observada desde a criação das agências no século XIX.

O desenvolvimento de espaços compartilhados de significado e confiança é o maior desafio para o trabalho da mídia contemporânea, avaliou o cientista político Antonii Gulubov, também convidado para a cerimônia de abertura. Gulubov disse que uma crise é impossível sem mídia, já que é o meio responsável por ligar os eventos com seus públicos. Ele expressou a esperança de que as agências de notícias sejam capazes de sistematizar e criar conteúdo, que em algum momento vai ajudar a reconsiderar a crise como um processo. Os participantes discutiram ainda os ataques de hackers como uma nova ameaça para a mídia.

Associações

A ABNA-SE foi criada em Salônica, na Grécia, em 26 de Junho de 1995, e tem onze membros titulares: Agerpres (Bucareste, Romênia), a ANA-MPA (Atenas, Grécia), Agência Anadolu (Ancara, Turquia), ATA (Tirana, Albânia ), BTA (Sofia, Bulgária), CNA (Nicósia, Chipre), FENA (Sarajevo, Bósnia e Herzegovina), Hina (Zagreb, Croácia), MIA (Escópia, Macedônia), SRNA (Banja Luka), e Tanjug (Belgrado, Sérvia) e três observadores: Armenpress (Erevan, Armênia), MOLDPRES (Chișinău, Moldova) e STA (Liubliana, Eslovênia).

Já a BSANNA foi criada em Kiev, na Ucrânia, em 30 de Maio de 2006 e tem 15 membros: Agerpres, ANA-MPA, Anadolu, Armenpress, ATA, AZERTAC (Baku, Azerbaijão), BTA, CNA, GHN (Tíflis, Geórgia), Hina , MIA, MOLDPRES, TASS (Moscou, Rússia), Tanjug, e Ukrinform (Kiev, Ucrânia).

Durante o fórum, a Aliança de Agências de Notícias do Mediterrâneo e BSANNA assinaram um acordo de cooperação.