A revista Brazilian Journalism Research (BJR) deste mês traz um artigo acadêmico, escrito por um dos editores deste blog, que compara os modelos de agências de notícias nacionais adotados pelos cinco países do bloco BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, concluindo que o formato brasileiro é sui generis, ou seja, atípico.

No texto, o jornalista e pesquisador Pedro Aguiar discute o papel das agências de notícias para os projetos nacionais de desenvolvimento, e como se deu a relação original destas organizações com o Estado – já que, na maioria dos países descolonizados, as agências de notícias nacionais foram fundadas como serviços estatais.

O autor também aponta que o desenvolvimento histórico diferenciado em cada país emergente (os quais, exceto a Rússia, foram submetidos à colonização europeia) levou à configuração de modelos diferentes dos sistemas nacionais de distribuição de informações, alguns mais dependentes da relação com as agências europeias (Reuters e AFP, basicamente) e outros mais autônomos – resumidos na tabela abaixo.

ModelosAgenciasBRICS

Por sua vez, esses modelos correspondem a paradigmas teóricos que foram elaborados por pensadores do campo de pesquisa da comunicação internacional ao longo do século XX, variando do chamado “paradigma da modernização” (que defendia que os países em desenvolvimento iriam progredir apenas copiando as tecnologias e práticas sociais dos países ricos) até a teoria da dependência, que denunciava a condição estrutural do subdesenvolvimento.

Essa variedade acarretou respostas distintas por parte dos estados, desde o controle rígido e a submissão aos aparatos burocráticos até a reprodução de modelos europeus fundada na iniciativa privada. A China, por exemplo, optou pelo estatismo e fez de sua Xinhua um gigantesco aparelho que reúne boa parte da mídia nacional e ainda acumula funções de órgão regulador. A Índia, por outro lado, abandonou o monopólio sobre  a circulação de notícias, adotando um modelo “modernizante”, inspirado na Reuters e na Associated Press norte-americana (a agência nacional indiana, PTI (Press Trust of India), é constituída pelos maiores jornais do país, assim como a AP nos EUA).

A antiga agência nacional da África do Sul, a SAPA (South African Press Association) também seguia o modelo cooperativo, ainda que mais dependente da relação com a Reuters, da antiga potência colonial. Curiosamente, enquanto o artigo era produzido, em 2015, a SAPA foi extinta por decisão de seus sócios.

A revista BJR é editada pela SBPJor (Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo) e institucionalmente sediada na Universidade de Brasília (UnB). O periódico é semestral e bilíngue, publicado em inglês e em português. O artigo saiu primeiro na versão em inglês, que normalmente é divulgada antes, mas em breve poderá ser acessado em português também.

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