A agência Reuters anunciou uma redução drástica em sua cobertura esportiva às vésperas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, anunciou o blog The Baron, dos funcionários da empresa anglo-canadense.

Segundo o blog, a Reuters “está reduzindo drasticamente” a sua cobertura de esportes “por causa da falta de pessoal”. Alguns esportes não serão mais cobertos e a equipe de jornalistas que vem ao Rio de Janeiro em agosto será apenas “uma fração do tamanho” dos Jogos anteriores, em Londres – sede da agência.

“Como os nossos níveis de pessoal permanecem abaixo do ideal, estamos olhando novamente para formas que possam reduzir a sobrecarga e definimos algumas áreas de cobertura que vamos mudar ou abandonar“, disse à equipe o editor de esportes para a Europa, Oriente Médio e África, Mitch Phillips, segundo The Baron.

Segundo o executivo, os clientes ainda não tinham sido informados dos cortes.

Claro que é uma pena precisarmos fazer esses cortes, e alguns clientes podem não gostar. Mas, como todos estamos cientes, simplesmente não temos equipe de reportagem nem de edição para continuar a processar o mesmo nível de material. Também entendemos que haverá algumas contradições aparentes, como cortar em certas áreas mas expandir a produtividade de Bangalore, mas é uma questão diferente”, disse Phillips.

A redução já começa na nova temporada do futebol europeu: a Reuters não terá mais cobertura permanente sobre Grécia, Bélgica, Holanda, Portugal, Rússia, Escandinávia, Bálcãs ou em qualquer lugar fora das cinco grandes ligas europeias – Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Espanha.

“Ainda vamos dar notícias locais desses países ocasionalmente, mas será mais focado em brigas de torcida e corrupção, em lugar de cartolagem”, escreveu Phillips em um memorando.

A cobertura da Liga dos Campeões será simplificada, concentrando-se nos maiores times e menos em crônicas de partidas. O mesmo se aplica a amistosos internacionais, acrescenta o blog dos jornalistas da Reuters.

Outros eventos que deixarão de ser cobertos são o campeonato europeu de basquete, o de badminton da Inglaterra, críquete, a maioria do automobilismo exceto a Fórmula 1, e a maioria das lutas de boxe.

“Ao mesmo tempo, vamos continuar a cobrir importantes questões da FIFA e da UEFA, em profundidade”, acrescentou Phillips.

ReutersSports

 

A editoria de esportes da Reuters foi integrada à edição principal em Londres (antes, editoria Mundial) há um ano. O movimento seguiu uma fusão, alguns meses antes, das equipes de esportes com comportamento e cultura, além de vídeo e imagens, sob um único editor global. Há dez anos, a agência tinha cerca de 25 editores em tempo integral, além de colaboradores (stringers) em todo o Reino Unido e no resto de Europa, Oriente Médio e África. Agora, incluindo Phillips, são apenas dez jornalistas.

Segundo The Baron, a Reuters costumava ter enorme presença de jornalistas especializados nos Jogos Olímpicos, com mais de 100 repórteres e outros profissionais. No Rio, haverá três funcionários vindo da editoria de esportes de Londres junto a 14 repórteres dos Estados Unidos, sem experiência na cobertura esportiva para a agência. Em comparação, nos Jogos de Londres em 2012, a Reuters teve cerca de 80 redatores dedicados ao evento.

 

Aluguel de terraços

Em contraste, a agência norte-americana Associated Press divulgou que terá uma equipe 200 pessoas durante a Olimpíada carioca, para a qual já alugou terraços e pontos estratégicos na cidade-sede dos jogos para fazer fotos e filmagens do evento.

“Garantimos locais da cidade para capturar vídeo ao vivo, direito de dentro e de fora da vila olímpica. Isso nos permitirá obter grandes imagens dos fogos de artifício nas cerimônias de abertura e de encerramento, por exemplo”, disse o editor global de esportes da AP, Michael Giarrusso, durante evento de tecnologia GeekWire Sports, em Seattle, no dia 13 de julho.

A agência de Nova York também pretende investir no conteúdo de “segunda tela“, ou seja, complementar o que o espectador estiver vendo pela TV com outras informações  da cobertura, acessíveis pelo celular, tablet ou computador. Entre estas, estão resultados das competições, estatísticas, alertas de notícias e “bastidores”.

“Sabemos que os torcedores estão com seus telefones e podem até ter um tablet ou computador por perto, enquanto estão assistindo. Nós podemos fornecer contexto e um sentido mais profundo ao contar histórias do que o que pode ser mostrado apenas na televisão”, disse Giarrusso.

O editor afirmou que a equipe espera produzir 2.000 fotos por dia, em média – não apenas nas matérias, mas feitas para mídias sociais com a marca d’água da agência. “Esperamos ver algumas histórias de bastidores dos torcedores e da vida nos Jogos Olímpicos, bem como fotos e vídeos dos próprios atletas”, afirmou.

“Além do conteúdo, no entanto, é a logística de ter mais de 200 membros da equipe no Rio por um mês. Já conhecemos o território por ter dezenas de repórteres que foram para a Copa do Mundo, dois anos atrás, mantendo-se literalmente do outro lado da rua de onde está a vila olímpica hoje”, continuou Giarrusso.

 

Conhecer coisas tão simples quanto o trânsito, táxis e restaurantes nos ajuda a ser mais eficientes. Nossa equipe de tecnologia já está lá, montando escritórios e testando a tecnologia sem fio que vamos usar. Estamos montando câmaras remotas nas linhas de chegada, dentro de gols e em estádios, capazes de mandar fotos mais rápido para os nossos associados e clientes.

Michael Giarrusso

Além disso, a AP terá um blog, “Inside the Games“, para publicar conteúdo visual e já pensado para ser compartilhado em redes sociais. Repórteres da agência foram treinados para produzir conteúdo específico para o blog, em relação ao jogos anteriores, quando a AP teve uma equipe separada para conteúdo mobile e de redes sociais. Há ainda um hotsite da cobertura, summergames.ap.org.

A AP terá a melhor cobertura local. Cobriremos essas histórias como especialistas, não como quem cai de pára-quedas apenas para contar uma história e vai embora logo depois, porque estamos no chão, no Rio, durante todo o ano”, promete o editor.