(Homero Vianna)

A agência de notícias norte-americana Associated Press foi acusada de ter prejudicado o democrata Bernie Sanders, pré-candidato à presidência dos EUA, e favorecido sua adversária Hillary Clinton nas penúltimas primárias do partido, realizadas no dia 7 de junho.

Na noite de segunda-feira, dia 6, véspera da votação das primárias na Califórnia, um dos maiores colégios eleitorais do país, e em mais quatro estados, a AP anunciou que Hillary Clinton já havia reunido delegados suficientes para ser declarada a candidata democrata à presidência (imagem abaixo). Estava em jogo a eleição dos delegados decisivos que irão indicar o candidato do Partido Democrata que concorrerá à Casa Branca nas eleições de outubro de 2016.

PrevisaoAPproHillary

O jornalista William Pitt, do site Truth-out.org, acusou a Associated Press de haver interferido no resultado da votação quando anunciou prematuramente o apoio decisivo de membros da elite do partido a Clinton, os chamados “superdelegados”.

O anúncio precipitado teria provocado um efeito cascata na mídia e desestimulado o comparecimento de muitos eleitores às urnas.

As primárias de 7 de junho do Partido Democrata tiveram lugar na Califórnia, Nova Jérsei, Novo México, Montana, Dakota do Sul e Dakota do Norte. Hillary Clinton venceu as quatro primeiras e Sanders as demais. Em Dakota do Norte apenas 354 compareceram às urnas.

Segundo Pitt, o suposto apoio prévio dos “superdelegados” não era suficiente para enterrar as aspirações de Sanders na convenção Democrata que terá lugar de 25 a 28 de julho. Além de prejudicar a Sanders, e irritar a seus seguidores, foi um episódio tão “antidemocrático” quanto a controversa votação na Flórida no ano 2000 que deu a vitória a George W. Bush frente a Al Gore, segundo William Pitt. O anúncio prematuro também teria afetado candidatos a outros cargos que concorriam nessas primárias.

A previsão da agência foi reproduzida por inúmeros veículos de comunicação nos Estados Unidos e no mundo, atribuindo a ela o cálculo da estimativa favorável a Hillary, o que só se confirmou no dia seguinte.

Para o jornalista, a AP não observou uma máxima do jornalismo: “Em vez de cobrirem a notícia, a AP foi a notícia”.

Na mesma segunda-feira, a agência divulgou uma nota justificando sua orientação editorial para passar a chamar Hillary Clinton de “indicada presuntiva” (presumptive nominee, em inglês).

“A AP concluiu que Hillary Clinton tinha delegados suficientes para garantir a indicação após um esforço doloroso mas muito objetivo. Nós contamos”, diz o comunicado da AP.

“Na tarde de segunda-feira, 571 superdelegados já nos tinham dito sem dúvidas que pretendem votar em Hillary na convenção. Somando esse número ao dos delegados que ela já obteve nas primárias até agora, dava-se o número necessário para fazer dela a indicada presuntiva. Isso é notícia, e o que fazemos é dar notícias”, conclui.

Fonte: <http://www.truth-out.org/opinion/item/36350-how-the-associated-press-screwed-sanders-and-other-tales-from-tuesday-night&gt; (acesso em 9 de março de 2016)