A penetração econômica da China em países africanos extrapolou os setores produtivos de indústria, mineração e agropecuária e já inclui a comunicação, com a expansão da CCTV, da Rádio China Internacional e da Xinhua para o continente, segundo um estudo publicado este mês.

No recém-lançado livro China’s Media and Soft Power in Africa (Palgrave-Macmillan, 2016), diversos autores investigam mecanismos de influência econômica, cultural e diplomática de empresas chinesas em países africanos. Um capítulo específico, escrito por Dani Madrid-Morales, pesquisador da Universidade da Cidade de Hong Kong, trata da presença da Xinhua, a agência de notícias chinesa, na África, desde os anos 80.

Embora desde 2009 a atenção de diversos acadêmicos tenha se voltado para a expansão midiática dessas companhias chinesas, todas estatais, no continente africano, o autor demonstra que ela já vinha em curso desde a Guerra Fria, e intensificou-se com a digitalização tardia nos países subdesenvolvidos.

“Na última década, a África é provavelmente o continente onde empresas chinesas de mídia e de telecomunicações mais se envolveram“, afirma, na introdução.

O catalão Madrid-Morales, que é jornalista de TV e viveu entre Nairóbi, Cidade do Cabo e Hong Kong nos últimos anos, argumenta que o paradigma da cooperação chinesa com a África mudou de um referencial ideológico para relações de mercado. Empresas como a Xinhua agora vão atrás das relações com as quais podem obter lucro, assim como as agências privadas dos EUA e da Europa (Reuters, Associated Press, Bloomberg).

De fato, levantamento feito por este blog constatou que pelo menos oito agências nacionais africanas têm acordos de parceria com a Xinhua chinesa — Angop (Angola), APS (Senegal), AIP (Costa do Marfim), GNA (Gana), ABP (Benin), SLENA (Serra Leoa), NAMPA (Namíbia) e ANTA (Madagascar). Destas, apenas a primeira é de um país sob regime socialista.

O livro pode ser comprado online, em formato impresso ou como ebook.

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