A agência Reuters recebeu secretamente um subsídio do governo britânico nos anos 1960 para custear a manutenção e expansão de suas operações nos países africanos que ficavam independentes da Coroa na época, segundo um artigo publicado no último volume da revista American Journalism (vol.33, n.1, 2016).

No texto “The Scramble for African Media: The British Government, Reuters, and Thomson in the 1960s” (algo como “A Partilha da Mídia Africana: o governo britânico, a Reuters e Thomson nos anos 1960”), o jornalista e professor John Jenks, da Universidade Dominicana, perto de Chicago, nos EUA, afirma que, por causa da descolonização, ocorrida no contexto da Guerra Fria, Reino Unido procurou “não só manter a influência nas antigas colônias, mas também expandi-la para o resto do continente”.

“O governo britânico incentivou e subsidiou a mídia com sede em Londres para expandir na África, bloquear os soviéticos, prevenir concorrentes e preservar a influência britânica, em um exemplo clássico do imperialismo da mídia”, diz Jenks, no resumo do artigo.

Segundo o pesquisador, a agência Reuters recebeu um subsídio em segredo para expandir sua cobertura na África e agregar como clientes os novos governos nacionais descolonizados.

Nesse mesmo contexto, o magnata anglo-canadense da imprensa Roy Thomson (fundador da Thomson, que em 2008 comprou a Reuters), “cooperou estreitamente” com Downing Street, enquanto “investia pesadamente em jornais africanos e sistemas de televisão e de formação em jornalismo” no continente.

A Reuters, fundada em Londres em 1851 pelo empresário judeu alemão Israel ber Josaphat (naturalizado britânico com o nome de Paul Julius Reuter), sempre foi considerada como um “órgão auxiliar” do Império Britânico – da mesma maneira como suas contemporâneas Havas e Wolff o eram dos imperialismos francês e alemão, respectivamente.

O artigo de Jenks está disponível mediante acesso pago ou por assinatura à editora de periódicos acadêmicos Taylor & Francis, neste link.

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