A ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner começará este mês a operar uma nova agência de notícias junto com sua ala dos peronistas, a Frente para a Vitória (FpV), segundo informações do jornal Clarín.

A nova agência será abrigada sob a estrutura do Instituto Pátria, entidade que a ex-presidente está fundando, sediada em Buenos Aires. O projeto prevê que, além do serviço jornalístico, o instituto também realize eventos culturais.

A direção da agência ficará a cargo do documentarista Tristán Bauer, ex-diretor do canal público Encuentro e da estatal RTA (Radio y Televisión Argentina).

De acordo com o jornal Diario Registrado, alguns dos colaboradores que acompanharão a ex-presidente na agência são Oscar Parrilli (ex-diretor da Agência Federal de Inteligência) e Carlos Zanini, candidato a vice na chapa derrotada de Daniel Scioli, no ano passado. A blogueira Anita Montanaro, ex-gerente da conta Twitter da Casa Rosada, fará parte da equipe.

A experiência relembra o que o próprio Juan Domingo Perón fez em 1952, quando fundou a Agencia Latina de Noticias para difundir informações internacionalmente pela perspectiva peronista. A agência durou até 1955, quando Perón foi ser derrubado do poder por um golpe de Estado.

Além da agência peronista, o governo argentino de então já tinha a Télam (Telenoticiosa Americana), agência oficial do país, fundada em 1946 também por Perón, logo no início de seu governo.

A Argentina foi o primeiro país da América Latina a ter uma agência de notícias duradoura, com a Agencia Saporiti, fundada em 1900 por Carlos Fortunato Saporiti e fechada em 1984, na redemocratização.

Durante o mandato de Néstor Kirchner (2003-2007), a Télam foi reestruturada e passou a ser um dos principais canais de comunicação pública na Argentina, tendo sua marca popularizada e difundida entre os cidadãos, inclusive com publicidade nas ruas e no metrô – o que é raro para uma agência de notícias.