A Belga, maior agência de notícias da Bélgica, começou o ano com diretoria nova e estratégia de mercado diferente. O novo presidente da empresa, Patrick Lacroix, estabeleceu como prioridade resgatar a credibilidade do serviço informativo e apostar mais em clientes não-mídia e órgãos estatais – embora jornais e emissoras sejam acionários da empresa.

“O desafio todo é atingir um equilíbrio em nossas atividades porque não podemos esquecer que nossos acionistas são também nossos primeiros clientes”, disse Lacroix, segundo o jornal belga L’Écho. “Não vamos vender às empresas e instituições que aquilo que a mídia já vende a elas, para evitar canibalizar seu negócio”.

No início dos anos 2000, a mídia tradicional respondia por 85% do faturamento da Belga. Hoje, a proporção está pouco acima dos 50%. Segundo o próprio site da agência, atualmente 32,5% dos seus clientes são governos e empresas fora do setor de comunicação. E o número destas últimas, de acordo com ela, vem crescendo.

A Belga, assim como a Associated Press, a ANSA italiana, a DPA alemã e a Kyodo japonesa, tem uma estrutura acionária “cooperativa”, em que os proprietários da agência são os mesmos jornais, revistas, portais e emissoras que assinam para receber seus serviços.

“A vantagem desde modelo de negócios singular é que nossos clientes-acionistas podem determinar melhor suas demandas. Tentamos ser mais racionais possível, não cobrir as mesmas notícias sistematicamente, nem por texto nem por imagem”, disse o executivo, que assumiu a presidência da agência em 1º de janeiro.

Um de seus desafios será integrar ao serviço da agência a plataforma Gopress, um site de acesso ao conteúdo digitalizado dos jornais impressos e revistas (como o PressReader e o Netpapers), comprado pela Belga em 2014. Antes da aquisição, a Gopress era presidida pelo próprio Patrick Lacroix.

“A integração do Gopress nos permitirá oferecer um serviço mais completo aos nossos clientes”, afirma o executivo, que esteve à frente do serviço desde 1999.

O Gopress era uma joint-venture dos principais conglomerados de imprensa da Bélgica, como Persgroep, Mediahuis, Mediafin, Rossel, IPM e Editions de L’Avenir – alguns dos quais são os mesmos donos da Belga.

Além disso, Lacroix acredita que a Belga precisa encontrar seu diferencial ao fornecer serviços de informação fidedigna, apurada e checada, pelas várias interfaces que interessam ao público e aos clientes corporativos, basicamente órgãos de governo e empresas de fora do setor da comunicação.

“Estamos sob a pressão do tempo e da informação imediata, imposta pelas redes sociais. Há uma competição entre velocidade e qualidade. O Twitter e o Facebook influenciam a opinião. Nossa missão é verificar o que é dito. Não adianta ir mais rápido que o Twitter; é preciso ser mais confiável que ele. É uma questão de credibilidade”, disse.

Para ele, serviços como alertas em tempo real, informações fianceiras, media training, monitoramento, clipping temático e divulgação de press releases são o que a Belga pode oferecer de melhor para ampliar clientela.

“Precisamos consolidar e otimizar nossos recursos, e especialmente sermos referência em termos de confiabilidade, em uma época em que a informação vem de qualquer lugar”, concluiu.

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